quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A Decisão do Schumacher



O alemão papão de títulos e vitórias está de volta. Muitos não apostavam na volta do Schumacher. Para citar alguns que assumiram publicamente essa descrença temos Alonso, Button, Vettel e Barrichello. Agora, tentar analisar a decisão do maior campeão da história da F1 é um exercício de natureza “quase psicológica”. Porém, convenhamos que algumas dicas da motivação para essa decisão nos foi fornecida pelo próprio Schumacher. Outros aspectos podem ser inferidos a partir de observação de alguns fatos e idéias não tão recentes assim. De qualquer forma para facilitar o desenvolvimento do meu raciocínio, vou dividir em três partes o presente assunto.

Espírito de Vencedor

Essa característica é importante para um campeão. Porém, Schummy a demonstrou como poucos. Em alguns episódios essa gana pela vitória contribuiu para manchar um pouco sua imagem. Em 1994 e em 1997 ele jogou o carro para cima da Williams de Hill na primeira oportunidade e da de Villeneuve na segunda. Em 2006 estacionou o carro nas ruas de Mônaco a fim de evitar que o Alonso cravasse a poleposition na classificação.
Contudo, em outros episódios essa gana nos proporcionou momentos inesquecíveis. A corrida da Hungria em 1998 me causa arrepios até hoje. O homem apertou o acelerador sem parar por voltas a finco. Confiram no vídeo abaixo o carro balançando, tentado fugir da trajetória, mas o alemão o trazia de volta, travava os pneus, volta após volta em uma estratégia arrojada de três paradas para terminar com 9s a frente do Mika Hakkinen, seu adversário direto ao título daquele ano. O GP do Brasil de 2006 (até então o último de sua carreira) foi um show. Com muita coisa dando errada para ele, lutou até o fim realizando diversas ultrapassagens e mesmo largando de trás do pelotão e realizando uma parada a mais terminou a corrida a uma posição do pódio. Foi uma grande despedida. Ainda gosto de ressaltar aquela poleposition em 1996 em Mônaco sobre Hill que possuía o melhor carro daquela temporada. Mas, enfim, os feitos do Schumacher mereceriam não apenas um tópico específico para isso, mas talvez um blog. Acredito já ter me feito entender com relação ao espírito de vencedor do Schumacher. E isso é claro influenciou por demais a sua decisão. Competir, vencer, assumir para si mesmo um objetivo e alcançá-lo. Essas coisas são como água para algumas pessoas, não dá para ficar sem por muito tempo.



Ídolo Alemão x Marca Alemã

A música alemã “Das Alles ist Deutschland“, que o humilde estudante de alemão que vos escreve traduz como “Tudo isso é Alemanha”, fez um sucesso tremendo na nação germânica na época de seu lançamento. Ela descreve algumas características famosas do país as quais o faz reconhecido e apresenta uma passagem que demonstra certa pressão que o Michael sofria em seu país por pilotar uma Ferrari enquanto a Alemanha é uma nação conhecida mundialmente por suas fábricas de automóveis. Confira abaixo a música e observe que no tempo 0:54s temos a seguinte frase: “Nur eine Kleinigkeit ist hier verkehrt Und zwar, dass Schumacher keinen Mercedes fährt”, ou seja, “Somente uma pequena coisa está errada aqui, é que o Schumacher não pilota uma Mercedes”. Quando Ross Brawn telefonou para Michael e informou de que a Mercedes seria a nova dona da equipe seus olhinhos devem ter brilhado. Daí suas afirmações que estava se sentido com uma criança com um novo brinquedo.
Todavia, é óbvio que essa relação entre o piloto e a construtora não é apenas romântica. Em meio a essa crise que assolou com força o mercado de automóveis, possuir como garoto propaganda o maior ídolo do esporte a motor não apenas na Alemanha como no resto da europa, é uma oportunidade única de alavancar as vendas e elevar seus produtos a um nível de cobiça similar ao da Ferrari, se não de imediato, ao menos em um projeto a médio ou longo prazo. Ou seja, é uma grande cartada.
Outro ponto não menos importante é que a Mercedes nunca possuiu na McLaren o espaço que desejava. O Ron Dennis não larga o osso. E em minha opinião está certo, o seu jeito esquisito de gerenciar a McLaren a fez uma das principais equipes da F1 apesar da Mercedes tê-la salvo no final da década de 90.



A Nova Geração da Fórmula 1: Adversários que Schumacher Nunca Teve


Os críticos do alemão adoram gritar aos quatro ventos que Schumacher nunca teve reais adversários na pista. E olha que eles não estão muito errados não. Damon Hill fez tantas lambanças na pista que não dá para levá-lo a sério mesmo com o título, aquela corrida que fez com a Arrows em 97 e aquela vitória em Spa pela Jordan em 98. Simplesmente não é suficiente. Assim como o título do Villeneuve não é suficiente para apontá-lo como um adversário para o heptacampeão. Mika Hakkinen foi o que mais se aproximou, porém,  Hakkinen não era espetacular ou genial, ele era mais rápido que o Coulthard, competente nas corridas e no segundo título ainda contou com a perna quebrada do Michael.
E para completar o delírio dos algozes do Shummy, em 2006 ele perdeu para o Fernando Alonso que, esse sim, tem pontos sólidos os suficientes para ser apontado como um adversário.
Claro que essa crítica, provavelmente, o próprio Schumacher deve reconhecer.
Em 2007, exatamente no primeiro ano de ausência do Michael, surge Lewis Hamilton, Sebastian Vettel, Robert Kubica (que já dava amostras de seu talento em 2006) todos dando um show nas pistas. E aqui vale ressaltar um grande destaque para Lewis. O inglês quase alcança um feito não só inédito na categoria, mas em cima de um bicampeão do mundo que um ano antes havia derrotado a própria lenda viva. E Lewis dá amostras de genialidade no esporte, característica que após a morte de Senna em 1994 e a oportunidade de Alonso em 2005 e 2006 somente o Michael possuía no grid.
O fato de possuir grandes adversários foi um fator que motivou bastante o heptacampeão. É uma oportunidade de provar que mesmo com adversários considerados por todos como grandes nomes, ele pode vencer. E ele mesmo deixou escapar um pouco dessa motivação. Em entrevista a BBC, disponibilizada abaixo, entre 4:00 e 4:15, Schumacher foi questionado sobre o desafio de enfrentar os novos nomes da F1 que estariam ávidos para utilizar essa oportunidade para tentar derrotá-lo.  Michael escutou a pergunta com um sorriso carregado de prazer e respondeu: "Now that they got the chance they better use it!", em bom português: "Agora que eles tem a chance é bom usá-la!"



Bom, agora basta colocar num caldeirão: a oportunidade de competir com nomes de peso, o espírito de vencedor e a oportunidade de fazer muita grana com uma marca ícone de sua nação.
Surpreso eu estaria se ele não tivesse voltado.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Temporada 2010: Show ou Não Show, Eis a Questão

Performances obscurecidas pela quantidade de combustível, equipes novas com dificuldades financeiras (USF1 e Campos), equipe pirata a espreita do navio mais frágil naufragar para atacar (StefanGP), carro construído sem túnel de vento (Virgin Racing) e pilotos que não sabem se estréiam ou não no grid da categoria (Bruno Senna e José Maria López). Ainda teremos na nova temporada nomes de data conhecidos: Lotus, Schumacher e Senna (assim espero depois dessa reunião no domingo último) para citar alguns.

Todos esses aspectos enriquecem e aquecem ainda mais as especulações sobre a temporada 2010. Os sites e blogs especializados estão a todo o vapor, chovendo notícias e comentários sobre a consistência da Ferrari, os bastidores dos relacionamentos de Alonso e Massa, Hamilton e Button, a volta do heptacampeão entre outros diversos assuntos gerados por essa pré-temporada ímpar na história da F1.

De qualquer forma, tudo isso não poderia ter sido melhor para a F1. Afinal de contas, na última temporada houve uma perda de 80 milhões de espectadores televisivos. Nesse ano o burburinho e as novidades estão em quantidade e diversidade suficientes para não apenas devolver esses espectadores para F1 como também resgatar aqueles que ficaram pelo caminho já algum tempo.

Bom para F1, logo, bom para o esporte. Certo? Talvez sim, talvez não. Recordo-me de que os pneus slicks foram substituídos pelos pneus com sulcos exatamente para promover as ultrapassagens. Então se identificou, que as outras variáveis presentes em um carro de corrida assim como os circuitos também influenciam nas ultrapassagens.
Logo, o desenho dos circuitos começaram a sofrer modificações na tentativa de aprimorar o show.  Hockenheim foi totalmente alterado, Imola banido do calendário, até a entrada desafiadora para as retas dos boxes do circuito de Catalunya da qual tanto gostavam os pilotos foi sacrificada. Ao menos com tantos tiros no escuro o Hermann Tilke acertou com o desenho do traçado do GP da Turquia.

Mais recentemente, os apetrechos aerodinâmicos sofreram a censura no regulamento. Ao menos a aparência dos carros ficou mais limpa. Porém, a temporada 2009 demonstrou que ainda podem existir fatores que vão além da física dos carros, dos circuitos e da limitação da dependência da ação do ar dos bólidos. Foi interpretado que a ultrapassagem precisa valer a pena para o piloto correr o risco de realizá-la. Daí surge o novo sistema de pontuação, inédito na categoria, e o retorno da proibição do reabastecimento a fim de diminuir a importância das estratégias de pitstop, ou seja, se quiser ganhar terá que ganhar no braço e na pista. Todavia, ainda continuo em dúvidas se todas essas alterações, agora somadas ao fim do reabastecimento, realmente vão melhorar o show ou as equipes vão continuar cada uma no seu “quadrado” sem as aguardadíssimas trocas de posição durante a corrida. Se bem que intermináveis trocas de posição durante uma prova sempre foi uma característica mais do automobilismo norte americano do que o europeu. Claro que a F1 guarda em sua história momentos de ultrapassagens antológicos, porém, essa característica é bem mais marcante nos EUA.

Não escondo de ninguém que minhas expectativas para essa temporada são exageradamente positivas. Posso quebrar a cara, mas quem não arrisca não pode dizer depois: “Te falei. Não falei?”. Mas gostaria de registrar aqui que com tantas variáveis e após tantas modificações se a FIA e o OWG (Overtake Working Group) conseguirem atingir o objetivo merecerão aplausos, pois, terá sido um tiro em uma mosca.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

E As Luzes Vermelhas Se Apagam...

Tal qual a minha ansiedade para o início daquela que acredito que será a mais emocionante temporada de F1 dos últimos 15 ou 18 anos dou a largada nesse mundo fantástico dos blogs. Refiro-me, em especial, ao mundo dos blogs com posts opinativos e de análises lúcidas, porém, realizadas com toque pessoal.



A fórmula 1 infiltrou-se em minha alma na época de ouro de Ayrton Senna. Afinal de contas, tinha entre sete e onze anos no período da dualidade do nosso herói brasileiro e o baixinho francês. Nessa idade, quase impossível não sonhar, não manifestar carinho e reconhecimento pela grandiosidade das corridas de F1 apimentadas pela rivalidade brutal de Senna x Prost.



Esses meus sentimentos de infância por anos me fizeram torcer o nariz para Michael Schumacher. Contudo, o talento do alemão e o amadurecimento que os anos nos traz ajudaram-me a reconhecer o Schummy como um dos melhores. Top Five, sem dúvidas. De modo que aprecio os doze anos de evidência do Michael com bastante entusiasmo, sem frenesi, como era com o Senna, mas com bastante entusiasmo.

  Por conta da idade, assim como muitos, conheço a F1 de 1987 para trás pelo que o youtube me apresenta ou pelo belo e sempre excitado saudosismo daqueles que viveram em parte desse espaço temporal.
Acompanho tudo, gravo tudo, salvo tudo que tenha a ver com F1 . Ainda bem que inventaram o DVD e o HD, já não havia mais espaço para tantos VHS.
Rápido como deve ser uma poleposition, inicio a temporada aqui no F1 Vision. E que o trabalho, os estudos e as outras várias responsabilidades não me privem de uma participação freqüente e animada na blogosfera voltada para a F1.