quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Temporada 2010: Show ou Não Show, Eis a Questão

Performances obscurecidas pela quantidade de combustível, equipes novas com dificuldades financeiras (USF1 e Campos), equipe pirata a espreita do navio mais frágil naufragar para atacar (StefanGP), carro construído sem túnel de vento (Virgin Racing) e pilotos que não sabem se estréiam ou não no grid da categoria (Bruno Senna e José Maria López). Ainda teremos na nova temporada nomes de data conhecidos: Lotus, Schumacher e Senna (assim espero depois dessa reunião no domingo último) para citar alguns.

Todos esses aspectos enriquecem e aquecem ainda mais as especulações sobre a temporada 2010. Os sites e blogs especializados estão a todo o vapor, chovendo notícias e comentários sobre a consistência da Ferrari, os bastidores dos relacionamentos de Alonso e Massa, Hamilton e Button, a volta do heptacampeão entre outros diversos assuntos gerados por essa pré-temporada ímpar na história da F1.

De qualquer forma, tudo isso não poderia ter sido melhor para a F1. Afinal de contas, na última temporada houve uma perda de 80 milhões de espectadores televisivos. Nesse ano o burburinho e as novidades estão em quantidade e diversidade suficientes para não apenas devolver esses espectadores para F1 como também resgatar aqueles que ficaram pelo caminho já algum tempo.

Bom para F1, logo, bom para o esporte. Certo? Talvez sim, talvez não. Recordo-me de que os pneus slicks foram substituídos pelos pneus com sulcos exatamente para promover as ultrapassagens. Então se identificou, que as outras variáveis presentes em um carro de corrida assim como os circuitos também influenciam nas ultrapassagens.
Logo, o desenho dos circuitos começaram a sofrer modificações na tentativa de aprimorar o show.  Hockenheim foi totalmente alterado, Imola banido do calendário, até a entrada desafiadora para as retas dos boxes do circuito de Catalunya da qual tanto gostavam os pilotos foi sacrificada. Ao menos com tantos tiros no escuro o Hermann Tilke acertou com o desenho do traçado do GP da Turquia.

Mais recentemente, os apetrechos aerodinâmicos sofreram a censura no regulamento. Ao menos a aparência dos carros ficou mais limpa. Porém, a temporada 2009 demonstrou que ainda podem existir fatores que vão além da física dos carros, dos circuitos e da limitação da dependência da ação do ar dos bólidos. Foi interpretado que a ultrapassagem precisa valer a pena para o piloto correr o risco de realizá-la. Daí surge o novo sistema de pontuação, inédito na categoria, e o retorno da proibição do reabastecimento a fim de diminuir a importância das estratégias de pitstop, ou seja, se quiser ganhar terá que ganhar no braço e na pista. Todavia, ainda continuo em dúvidas se todas essas alterações, agora somadas ao fim do reabastecimento, realmente vão melhorar o show ou as equipes vão continuar cada uma no seu “quadrado” sem as aguardadíssimas trocas de posição durante a corrida. Se bem que intermináveis trocas de posição durante uma prova sempre foi uma característica mais do automobilismo norte americano do que o europeu. Claro que a F1 guarda em sua história momentos de ultrapassagens antológicos, porém, essa característica é bem mais marcante nos EUA.

Não escondo de ninguém que minhas expectativas para essa temporada são exageradamente positivas. Posso quebrar a cara, mas quem não arrisca não pode dizer depois: “Te falei. Não falei?”. Mas gostaria de registrar aqui que com tantas variáveis e após tantas modificações se a FIA e o OWG (Overtake Working Group) conseguirem atingir o objetivo merecerão aplausos, pois, terá sido um tiro em uma mosca.

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